Ele dizia que assumiu a tarefa sagrada de restaurar a ordem. Claro, todos dizem isso antes de começar a empilhar corpos. Sheev Palpatine — o velho bastardo de olhos fundos e sorrisos calculados — não acreditava em sorte, acreditava em controle. No fundo, sempre foi sobre isso. Controle. Domínio. A porra da simetria da obediência.
A galáxia estava um caos? Estava. Mas ele não a salvou. Ele só foi o primeiro a perceber que podia vender segurança como se fosse esperança. E vendeu bem. A paz dele tinha gosto de ferro e cheiro de medo. Mas funcionava. Os trens chegavam na hora. Os impostos eram cobrados com eficiência. E se você fechasse os olhos com força suficiente, até parecia progresso.
Diziam que ele era firme. Justo. Um visionário. Mas Palpatine sabia que tudo isso era só perfume jogado em cima de um cadáver. Seu Império era uma estrutura de mármore erguida sobre ossos de planetas arrasados, e ainda assim, ele se achava o herói da história. O homem que fez o que precisava ser feito. O único disposto a se sujar até os ossos para que os outros pudessem viver uma ilusão limpa.
Ele não dormia. Não precisava. O poder era um café eterno. Ficava nas sombras do próprio palácio, assistindo hologramas de sistemas distantes como quem assiste a uma tragédia barata na holonet. Ganhou, e mesmo assim parecia sempre entediado.
Muitos o viam como um enigma, uma esfinge de carne vestida em seda preta. Mas não havia mistério ali. Apenas cálculo. Um cérebro calibrado para esmagar qualquer variável fora do plano. Ele não governava para si — pelo menos era isso que contava pra si mesmo antes de fechar os olhos por alguns segundos. Governava porque o mundo era um lugar porco demais para ser deixado nas mãos de idealistas e sonhadores.
No final, Palpatine não queria ser amado. Só queria que ninguém mais tivesse a chance de decidir.
Ordem? Ele deu.
Liberdade? Ele matou.
E durabilidade? Ah, isso ele prometeu de sobra.
Mas toda estrutura rígida demais acaba quebrando. Só que ele, é claro, fingia não saber.















